Organizar as finanças é um dos maiores desafios para quem começa como Microempreendedor Individual (MEI). Muitos abrem o CNPJ cheios de esperança, começam a vender, recebem dinheiro… e, quando percebem, não sabem se estão lucrando ou apenas sobrevivendo. A boa notícia é que organizar as finanças do MEI não precisa ser complicado. Com alguns conceitos simples e hábitos certos, é possível ter controle, evitar dívidas e crescer com segurança.
Este guia foi criado para quem está começando do zero, sem conhecimento técnico, e quer fazer tudo da forma correta desde o início.
O que significa organizar as finanças sendo MEI?
Organizar as finanças como MEI significa controlar todo o dinheiro que entra e sai do seu negócio, separando corretamente o que é pessoal do que é empresarial, cumprindo suas obrigações e planejando o futuro.
Na prática, isso envolve:
- Saber quanto você fatura por mês
- Conhecer seus custos e despesas
- Pagar impostos em dia
- Ter clareza sobre o seu lucro
- Evitar misturar dinheiro pessoal com o do negócio
Sem essa organização, o MEI corre riscos como:
- Endividamento inesperado
- Atraso de impostos
- Multas e juros
- Falta de dinheiro em meses fracos
- Fechamento precoce do negócio
O erro mais comum do MEI iniciante
O erro número um de quem começa como MEI é misturar o dinheiro do negócio com o dinheiro pessoal.
Exemplo comum:
O cliente paga um serviço, o valor entra na conta pessoal, o MEI paga uma conta da casa, compra algo para o negócio e, no fim do mês, não sabe quanto realmente ganhou.
Essa confusão impede qualquer tipo de controle financeiro.
Desde o primeiro dia, trate o dinheiro do MEI como se fosse de outra pessoa.
Passo 1: Separe o dinheiro pessoal do dinheiro do MEI
Você não é obrigado por lei a ter uma conta PJ, mas separar as finanças é essencial.
Como fazer isso na prática:
- Use uma conta bancária separada (mesmo que seja conta digital gratuita)
- Receba todos os pagamentos do MEI nessa conta
- Pague despesas do negócio apenas com esse dinheiro
- Transfira para você um valor mensal definido (pró-labore)
Mesmo que você ainda use a mesma conta, faça o controle separado no papel ou planilha.;
Passo 2: Entenda o que é faturamento e lucro
Muitos MEIs confundem esses dois conceitos, e isso gera frustração.
Faturamento
É todo o dinheiro que entra com vendas ou serviços.
Lucro
É o que sobra depois de pagar todas as despesas.
Exemplo simples:
- Faturamento: R$ 3.000
- Despesas (internet, material, transporte): R$ 1.200
- Imposto (DAS): R$ 75
- Lucro real: R$ 1.725
Nem tudo que entra é lucro.
Passo 3: Liste todas as despesas do seu MEI
Para organizar as finanças, você precisa saber exatamente onde o dinheiro está indo.
Tipos de despesas comuns do MEI:
- Internet e telefone
- Aluguel ou parte do aluguel (se trabalha em casa)
- Energia elétrica
- Materiais e insumos
- Transporte
- Taxas de maquininhas
- Serviços digitais (apps, plataformas)
Anote tudo, até os pequenos gastos. Eles fazem diferença no final do mês.
Passo 4: Crie um controle financeiro simples
Você não precisa de sistemas caros no início. O mais importante é registrar diariamente.
Opções simples:
- Caderno
- Planilha no Excel ou Google Sheets
- Aplicativos gratuitos de controle financeiro
O controle deve ter:
- Data
- Descrição
- Entrada ou saída
- Valor
O hábito é mais importante do que a ferramenta.
Passo 5: Organize o pagamento do DAS MEI
O DAS MEI é o imposto mensal obrigatório. Mesmo que você não fature no mês, ele precisa ser pago.
Valores aproximados:
- Comércio/Indústria: valor fixo mensal
- Serviços: valor fixo mensal
- Comércio + Serviços: valor um pouco maior
Não pagar o DAS pode gerar:
- Multas
- Juros
- Perda de benefícios do INSS
- Problemas com CPF
Dica importante:
Reserve o valor do DAS assim que receber seus primeiros pagamentos no mês.;
Passo 6: Defina um pró-labore para você
O pró-labore é o valor que você paga a si mesmo pelo trabalho no negócio.
Por que isso é importante?
- Evita gastar mais do que o negócio pode pagar
- Ajuda a controlar o orçamento pessoal
- Mostra se o negócio é sustentável
Comece com um valor realista, mesmo que seja baixo. O importante é ter previsibilidade.;
Passo 7: Crie uma reserva financeira sendo MEI
Autônomos e MEIs não têm salário fixo. Por isso, a reserva financeira é essencial.
Para que serve a reserva:
- Meses com pouco faturamento
- Emergências
- Problemas de saúde
- Manutenção de equipamentos
Quanto guardar?
O ideal é começar com:
- 5% a 10% do lucro mensal
- Meta inicial: 3 meses de despesas do negócio
Mesmo valores pequenos fazem diferença ao longo do tempo.;
Passo 8: Controle os recebimentos corretamente
Se você recebe em:
- PIX
- Cartão
- Dinheiro
Anote tudo separadamente. No cartão, fique atento às taxas e prazos de recebimento.
Muitos MEIs acham que vender no cartão é igual ao dinheiro na hora, mas as taxas reduzem o lucro real.;
Passo 9: Planeje o crescimento com cuidado
Crescer sem organização pode ser perigoso.
Antes de:
- Contratar serviços
- Comprar equipamentos
- Fazer empréstimos
Pergunte-se:
- Meu faturamento comporta isso?
- Essa despesa trará retorno?
- Tenho reserva para imprevistos?
Crescimento saudável é aquele que não compromete o caixa.;
Passo 10: Crie o hábito da análise mensal
Todo final de mês, reserve um tempo para analisar:
- Quanto faturou
- Quanto gastou
- Quanto sobrou
- O que pode melhorar
Esse simples hábito separa MEIs que sobrevivem daqueles que prosperam.;
Organização financeira é liberdade para o MEI
Quando você organiza suas finanças desde o início:
- Evita sustos
- Dorme mais tranquilo
- Toma decisões melhores
- Tem clareza sobre seu futuro
Não é sobre ganhar muito dinheiro rápido, mas sobre construir algo sólido.
Comece simples, seja consistente e ajuste com o tempo. Seu MEI agradece.